É incrível como mudanças (voluntárias) me fazem bem. Sejam elas grandes, como mudar de país, ou pequenas, como mudar de quarto, mudar pequenos hábitos. Parece que uma pequena mudança vem acompanhada de várias outras, uma leva à outra.
Mudar(se) nos faz jogar fora muita coisa. Às vezes é preciso se livrar do que não serve mais, mas que insistentemente guardamos, mesmo que o peso seja sufocante. Parece mesmo que necessitamos de certa densidade nas nossas vidas. É difícil tornar-se realmente livre de medos, pensamentos, traumas, coisas do passado. Na verdade, é impossível.
Nunca vamos conseguir mudar completamente, nos livrarmos de tudo o que não nos faz bem e que nos impede, muitas vezes, de seguir em frente, de tomar alguma decisão importante, de dar um rumo diferente a nossas vidas. Mas, acredito que dá para tornar as coisas um pouco mais fáceis, um pouco mais leves... Não guardar tudo para si, não “deixar passar” situações e sentimentos que nos incomodam, tentar reconhecer e mudar interna e externamente o que não está funcionando e nos deixando evoluir.
“A ausência total de fardo leva o ser humano a se tornar mais leve do que o ar... Seus movimentos a ser tão livres como insignificantes. O que escolher, então? O peso ou a leveza?”. Trecho de A Insustentável leveza do ser, de Kundera, que nos faz refletir sobre o peso que gostamos de carregar. É como se todo esse fardo fosse necessário para que soubéssemos que existimos e que temos um papel no mundo, na vida das pessoas.
Então, o melhor seria não buscar a leveza plena (e provavelmente inalcançável) e tentar buscar apenas uma forma de deixar o “fardo” menos pesado? O fator mudança pode colaborar com essa tarefa...
Permanecera ali, por um triz
Mas a deixaram
e
s
v
a
i
r
-
s
e
.
.
.
Arranhando o sentido tátil
Riscando as digitais
E as falanges: todas cúmplices
Reverberaram e depois...
Dia gris.
[05/07/06]
No princípio,
Era só um mundinho todo criado
Para si
Ao qual fazia parte...
Lá pelos décimos tantos
Descobriu que havia muita coisa
Além daquela redoma
Na qual estava habituado até então...
Depois que trocara todos os dentes-de-leite
Percebeu que aqueles heróis
Não passavam de seres humanos
Sujeitos com verbos
Aprisionados em orações
E sem deixar de ter adjetivos
Não muito adequados...
Prestes a alcançar o vigésimo
Notou que teria que
Conquistar um espaço só seu
E isso, ao contrário do princípio,
Ninguém podia criar...
O depois dependia desesperadamente
Do agora
E o antes, queria a independência
De álbuns de fotografia
Esquecidos, e às vezes lembrados,
Num canto qualquer do armário...
E enquanto os segundos dançam, unilaterais
Dois pra lá e dois pra lá
E cada vez que de soslaio
Se volta a cabeça para adiante...
Apresentam-se, misteriosamente
Rumo a um lugar qualquer
Ou a lugar nenhum...
O que se descobrirá num próximo movimento ?
[25/09/06]
15/08/11 – Aeroporto de Lisboa
E começa mais uma etapa... Ainda na mesma fase de estudos na França, mas assim mesmo, uma nova etapa. Muita coisa mudou em um ano. Já não vou encontrar as mesmas pessoas, quer dizer, só alguns poucos amigos que continuam comigo... Quantas pessoas passaram na minha vida em um ano, quantas sensações, quanta coisa aconteceu, quanta coisa mudou de repente. O tempo aqui na Europa parece passar ainda mais rápido que de costume, porém a vida se apresenta tão intensa que vivemos anos em poucos meses. Às vezes isso assusta. Às vezes os sentimentos não acompanham essa velocidade feroz em que as coisas mudam.
É preciso parar, respirar, refletir, viver. Muitas vezes, talvez, seja melhor nem pensar...
25/08/11 – Grenoble
Dez dias depois do meu retorno me sinto só. Tenho alguns amigos do ano passado que continuam por aqui, mas é como se eles não estivessem, em alguns momentos. Cada um parece viver sua vida dentro da sua própria bolha, dentro de seus “quartos-brancos”. Aquela vida em grupo que tínhamos perdeu a força, por mais que a gente tente mantê-la em alguns poucos instantes em que nos reunimos. Talvez seja porque perdemos muitos de nossos companheiros e os novos ainda não nos dão tanta abertura.
Sinto que a minha amizade já não tem tanta força para alguns. É natural, eu sei. Isso me deixa nostálgica, querendo que o tempo volte para eu poder reviver todas essas lembranças que insistem em vir à mente, tão nítidas. Sinto que ainda não voltei a ser a mesma de seis meses atrás. Pensando bem, acho que isso é impossível. Alguns acontecimentos marcam demais a nossa vida, e pode mudar quem somos ou como pensamos para sempre.
Setembro foi o mês das “Fête de
Festa de boas-vindas na Bastilha, em outubro
Aquela empolgação de quando chegamos ainda continuou, mas em menor ritmo. E claro, não perdemos a oportunidade de ir à Oktoberfest, a original, em Munique – Alemanha. Fomos num ônibus que uma brasileira, da geração Gre-Brasil anterior, organizou pra 60 e poucas pessoas. Muito caos na ida, 10 horas de viagem à noite, frio e muita expectativa. Pegamos o início da festa, cedo da manhã, num dia de muita chuva e frio

A poiva
Já contei essa história pros mais chegados. Cheguei à França no dia 28 de julho, e como só podia entrar na residência em 1° de agosto, eu teria que ir pra um hotel ou albergue pra passar os primeiros dias. Porém, eu tinha me inscrito num programa de parrainage, “apradinhamento”, e tinha uma “madrinha” francesa (a Sylvie) que, pra minha surpresa, me convidou pra ficar na casa dela nos primeiros dias. Eu, obviamente, aceitei (e foi a melhor coisa que eu fiz). A família dela me recebeu super bem, a Sylvie me mostrou a cidade e o campus e me ajudou em diversas tarefas, como abrir uma conta. Todos muito sympa e solícitos.
almoço no jardim da familia grenobloise
Agosto: mês do CUEF
Esse foi, sem dúvidas, o mês de maior bombação até agora
.jpg)
indo pra Soirée DJ, a primeira do CUEF
Como só tínhamos as aulas de francês do CUEF (mesmo sendo 4h por dia, geralmente pela manhã, e 5 vezes por semana), todo dia era dia de festa, de sair, de conhecer lugares e pessoas de toda parte do mundo, todo dia era dia de queijos e vinhos... Em quantas aulas não chegamos com as caras amassadas de quem dormiu muito pouco ou matamos aula mesmo! (eu até que era guerreira e tentei ir a todas). Mas a culpa era do CUEF, da associação IntEGre e do EVE – e claro, dos milhares de brasileiros que aqui vivem – que promoviam (e promovem) festas, encontros, excursões, “churrascos”, e tudo mais pra integrar os que chegam, afoitos por farras e novidades (em todos os sentidos).
viagem à Annecy, com o CUEF
1ª road trip:
Com o fim do curso de francês, o verão ainda marcando presença e o início das aulas um pouco distante, eu e mais três amigos brasileiros resolvemos alugar um carro e...Pé na estrada. Nosso desejo era um só: PRAIAS!
Encontramos um apê duplex, bem baratinho, pra alugar em Tourettes, uma cidadezinha a meio caminho das praias da Côte d’Azur. De lá, saiamos todos os dias rumo às cidades do litoral mediterrâneo, de águas azulzinhas.



